quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Dois documentos para votar: cheira a golpe

Nunca pensei em minha vida que um Estado democrático de direito desse tanta margem a procedimentos tão obscuros e tão injustificáveis como essa exigência de impor ao eleitor a apresentação de 2 documentos (título + doc. com foto) para poder votar.
Por enquanto, a única voz da blogsfera que se levanta contra esta trama é a de Brizola Neto, do blog www.tijolaco.com.
Acho que isso tem cheiro de golpe, tem cor de golpe e gosto de golpe.
Imagine o leitor que depois de mais de 20 anos usando um título sem fotografia, de repente aparecem nas mentes do nosso querido TSE o fantasma de possíveis fraudes, que seriam repelidas pela exigência de um segundo documento. Ora, o título sem a fotografia visava universalizar o direito de votar do eleitor. À época da criação do atual título, exigir uma fotografia excluia desse universo o eleitor dos grandes rincões de pobreza do país. Afinal de contas, ainda hoje, deslocar-se de sua moradia e ainda ter de pagar para obter meia dúzia de retratos 3x4 é uma odisséia. A não-exigência parece razoável em país como o nosso. Parte da população submetidas a essas restrições pode facilmente passar de 3% do total de votantes. (Guardem bem esse número: 3%)
Mais que de repente, temos no comando da nação um presidente que atinge níveis de aceitação inimagináveis há pouco tempo atrás. Esse presidente é maciçamente apoiado pelos cidadãos dos grandes rincões de pobreza do país, assim como a candidata que ele apóia.
As forças conservadoras tramam, desde o dia da sua reeleição, meios para tentar barrar uma possível extensão do seu governo com a eleição de sua candidata (nada a recriminar se o métodos fossem justos e legais).
Então, em um movimento estranho à história democrática recente do país, os 'guardiões eleitorais' emanam uma norma que pede a todo cidadão que porte (ao invés do antes suficiente título de eleitor) mais um documento, este com foto, para que se lhe permita votar.
Nesse momento, temos de levar em consideração que a mídia conservadora, os políticos de oposição e até os partidos que apoiavam o presidente achavam que a eleição seria renhida e a diferença entre os 2 principais candidatos seria mínima até o resultado final. Podemos imaginar por diferença mínima uma variação de 2% para o vencedor.
Ora, para o candidato da oposição (José Serra) restava apenas manter a disputa equilibrada até o final. Uma vez, alcançando isto, a nova exigência eleitoral faria o resto: excluiria boa parcela de votos da população mais pobre do país, prejudicando diretamente a candidata do presidente e abocanhando o poder com ares de justiça e imparcialidade.
O quadro desenhado acima é, em si, um exercício de imaginação. Entretanto, não é absurdo considerar sua possibilidade de se concretizar. Afinal, a nossa 'elite' não suporta o Lula, nem a sua candidata (Dilma). A grande imprensa os apóia, assim como algumas autoridades de Estado.
Está mais do que na hora de alertar a população quanto a essa nova e estranha exigência, uma vez que os seus atributos a denuciam. Vamos todos nos precaver contra essa trama.

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